
Resumo
Em 14 de agosto de 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o Mpox como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (PHEIC), devido ao surto centrado na África. Até março de 2026, o vírus Mpox continua a circular globalmente, com duas principais linhagens genéticas (Clade I e Clade II). Recentemente, também foram identificadas variantes recombinantes contendo genes de ambos os clades.
Embora os casos na África tenham atingido um pico em meados de 2025 e estejam em declínio gradual, surtos menores continuam sendo registrados em regiões como a Europa. Dados indicam que, em janeiro de 2026, foram notificados 1.334 novos casos (com 3 óbitos). Entre novembro de 2024 e fevereiro de 2026, foram confirmados 15 casos de Mpox Clade I nos Estados Unidos.
Na África Central e Oriental, mais de 53.000 casos foram associados ao Clade I, caracterizado por maior gravidade. Já o Clade II mantém circulação global em níveis mais baixos e dispersos. A principal forma de transmissão continua sendo o contato próximo, enquanto vacinas e terapias seguem em desenvolvimento e expansão.

Características do Vírus e Classificação
O vírus Mpox pertence ao gênero Orthopoxvirus, o mesmo da varíola. Ele é dividido em dois principais clades:
- Clade I: predominante na África Central (bacia do Congo), associado a maior transmissibilidade e maior taxa de letalidade (podendo ultrapassar 10% em alguns contextos históricos).
- Clade II: originário da África Ocidental, inclui o subgrupo Clade IIb, responsável pelo surto global de 2022–2023, geralmente com menor gravidade clínica.
Recentemente, variantes recombinantes foram identificadas. Em dezembro de 2025, o Reino Unido e a Índia reportaram vírus com material genético combinado de Clade Ib e IIb. Até o momento, as manifestações clínicas dessas variantes parecem semelhantes às anteriores, mas as autoridades de saúde mantêm monitoramento contínuo.

Tendências Globais de Ocorrência
Segundo relatório mensal da OMS, em janeiro de 2026 foram registrados 1.334 casos confirmados em 50 países, com 3 óbitos (taxa de letalidade aproximada de 0,2%).
- Cerca de 66% dos casos (881) ocorreram na região africana da OMS.
- Observa-se redução significativa desde o pico de maio de 2025.
- Fora da África, os casos continuam ocorrendo de forma esporádica, geralmente em pequenos surtos.

Nos Estados Unidos, foram confirmados 15 casos de Clade I entre novembro de 2024 e fevereiro de 2026. Em março de 2026, mais 4 casos foram identificados, sem ligação epidemiológica entre si.
Na África Ocidental (como Gana e Libéria), novos casos de Clade II foram registrados, levando a OMS a recomendar cautela para viajantes internacionais.

Avaliação de Risco Epidemiológico
Na avaliação de fevereiro de 2026, a OMS classificou o risco como:
- Moderado: para grupos com maior exposição (como pessoas com múltiplos parceiros sexuais e populações vulneráveis, incluindo crianças).
- Baixo: para a população geral.
Isso indica que a transmissão generalizada permanece limitada, embora grupos específicos ainda exijam atenção.
O Africa CDC também relatou uma redução significativa de casos, atribuindo o progresso à vacinação e às medidas de controle, levando ao encerramento do estado de emergência continental.

Diagnóstico, Tratamento e Vacinação
O diagnóstico do Mpox é realizado por meio de PCR em tempo real a partir de amostras de lesões cutâneas. A diferenciação entre clades e a detecção de variantes dependem de testes moleculares avançados e sequenciamento genômico.
- Tratamento: principalmente sintomático.
- Antivirais como Tecovirimat e Cidofovir podem ser utilizados em casos graves, embora seu uso ainda seja limitado.
- Vacinas disponíveis:
- JYNNEOS (MVA-BN)
- ACAM2000
Essas vacinas demonstram eficácia na redução da gravidade da doença, especialmente em grupos de risco e contatos próximos. Estudos também indicam possível proteção cruzada com vacinas contra varíola.

Resposta Global e Perspectivas Futuras
Organizações internacionais, incluindo a OMS e agências da ONU, continuam reforçando estratégias de contenção, com foco em:
- Ampliação do acesso a vacinas
- Fortalecimento da vigilância epidemiológica
- Comunicação de risco baseada em evidências
Autoridades de saúde na Europa (como Reino Unido e Itália) e nos Estados Unidos mantêm sistemas ativos de monitoramento e resposta.
No futuro, espera-se avanço no desenvolvimento de novas tecnologias vacinais, incluindo vacinas de RNA e abordagens recombinantes.
O Mpox permanece uma doença em evolução, exigindo monitoramento contínuo e adaptação das estratégias de saúde pública com base em dados atualizados.

Referências
Organização Mundial da Saúde (OMS), CDC, Africa CDC, ECDC, relatórios científicos e revisões acadêmicas recentes.
Direção Executiva: KIL PD

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